16 de set de 2015

Reich e a sexualidade

A função do orgasmo, o que é isto :?

Autor: Marcia Oliveira

AGOSTO/97 – SÃO PAULO
TRABALHO APRESENTADO NO ENCONTRO COMEMORATIVO DO CENTENÁRIO DE WILHELM REICH por MÁRCIA HELENA DE OLIVEIRA, CRP 06//4674

Tema da mesa: A FUNÇÃO DO ORGASMO, O QUE É ISTO?

Como bem sabemos, enquanto estudiosos da significativa obra de Wilhelm Reich, esse grande cientista foi frequentemente atacado com interpretações distorcidas, ou fora de contexto sobre sua pesquisa científica a respeito da função da sexualidade humana, como se houvesse algo não de todo correto ou sério, em um cientista que se interessasse em estudar esse tema.
Reich por sua vez, dizia freqüentemente que a função da sexualidade humana, foi um dos aspectos mais negligenciados pela pesquisa científica e que poucos foram os cientistas antes e mesmo depois de Freud, que se ocuparam dela como objeto de suas investigações e ainda, que entendia as críticas oportunistas e preconceituosas que se colocavam como obstáculos ao prosseguimento de suas pesquisas, como manifestações biopáticas da estrutura de caráter neurótica do homem do séc. XX. Dessa forma, constrangido a descobrir meios para superar essas críticas, Reich acabou por desenvolver estudos cada vez mais consistentes que culminaram na criação da metodologia de pesquisa orgonômica: o funcionalismo orgonômico.

Num justificado protesto, Reich coloca em sua obra “Superposição Cósmica” – 1950: “Estamos livres para deixar a confirmação ou refutação do nosso trabalho, a qualquer pessoa que queira tomar para si tal tarefa. Devemos contudo lembrar àqueles que nunca se deram ao trabalho de olhar em um microscópio ou para o céu , que nunca entraram em um acumulador de energia orgone e contudo estão cheios de falsas opiniões “autoritárias” sobre a orgonomia, que fiquem de lado e não perturbem um trabalho sério. Fiquem no mínimo quietos!!!”

Em sua obra “People in Trouble” - 1953, Reich segue dizendo: “É impossível dominar as funções da vida, se não se as vive completamente. Quando Malinowski decidiu estudar as culturas antigas foi para as ilhas Tobriand onde conviveu com seus habitantes em suas choupanas compartilhando suas vidas e amores ... a visão revolucionária se desenvolve a partir da prática, e ao longo de um espaço de tempo ... Estamos realizando um trabalho pioneiro com nosso conhecimento psiquiátrico e biofísico e revelando os princípios básicos do processo vital. Nosso trabalho é prevenir o câncer e outras biopatias e dessa maneira fornecer os princípios da economia sexual para todos e principalmente na educação das crianças. Sabemos que às vezes, a compreensão sobre os fenômenos pode surgir prematuramente em uma pessoa, antes que os demais indivíduos tenham atingido o mesmo nível de compreensão. A história das ciências naturais e do desenvolvimento cultural está cheia desses exemplos.”

Vale dizer que antes de Reich, a sexologia representada por nomes como Forel e Hirschfeld, se ocupava da sexualidade doente, quer dizer das perversões. Não havia qualquer pesquisa científica que permitisse construir uma teoria a respeito da função da sexualidade, capaz inclusive de preencher a lacuna deixada pela teoria econômico social de Marx, uma vez que nesta, a questão da família é em si mesma cheia de elementos emocionais e irracionais que nos remetem à moral e não à ciência natural. Reich procurou preencher essa lacuna em seus livros:“A Revolução Sexual” – 1945 e “A Psicologia de Massas do Fascismo” – 1946. Nesses livros fica claro que o problema nunca foi a forma da família ou a questão da procriação em si, mas o fato de que a família e a procriação tinham obscurecido desde o início a função do prazer biológico do animal humano. A potência orgástica, o cerne da posterior sociologia sexo econômica de Reich, só foi descoberta e descrita entre 1920 e 1927. Reich ainda esclarece: “Em suma, todos os esforços para compreender e reorganizar a sociedade operaram-se sem nenhum conhecimento do problema biosexual do animal humano”.
Quando Reich escreveu seu livro “A Função do orgasmo”, o primeiro deles, 1925, 1927 – tentava já utilizar a questão da sexualidade de modo sócio político. Entendia os problemas econômicos trazendo limitações externas que se somavam às inibições genitais já individualmente condicionadas, despotencializando assim os indivíduos, tornando-os enfraquecidos, sedentos por autoridade externa e vulneráveis ao sadismo de alguns grupos fascistas. “O sonho de uma melhor existência social permanece sendo apenas um sonho, exatamente porque acima de tudo, no plano individual, continua comprometida a capacidade de satisfação genital. A grande miséria em que o homem se acha enredado, é devido a sua couraça caracterológica, que dificulta que ele acesse suas grandes potencialidades uma vez que o afasta da sua natureza primária e portanto da necessidade de viver em uma sociedade que permita que ele realize seu sonho de uma vida socialmente realizadora, e ainda, fornece justificativas para essa fuga ...” Esclarece Reich em “O Éter, Deus e o Diabo” - 1949

A energia sexual é gerada no corpo e necessita liberar-se através da convulsão orgástica que envolve todo o organismo. Se esta liberação natural fica inibida, se produz um represamento dessa energia (estase), que dá origem a todo tipo de mecanismos neuróticos. A liberação dessa energia bloqueada através do restabelecimento da função do orgasmo é a meta terapêutica, já que desta forma se restabeleceria o fluxo natural da bioenergia e conseqüentemente se eliminaria a neurose.

Finalmente, gostaria de citar Reich ainda uma vez mais, no texto sobre o Funcionalismo Orgonômico, escrito por volta de 1947. “Tudo que fiz, foi realizar uma descoberta fundamental, superando o irresponsável porém compreensível acanhamento, no que se refere ao processo central da sexualidade. Eu meramente descobri a função do orgasmo, mas eu fiz isso de uma forma completa e consistente.”

Muito ainda haveria para falar sobre o que Reich chamou de “A Função do Orgasmo, mas talvez o mais importante seja dizer que essa pesquisa permitiu que outras portas fossem sendo abertas. Reich, além de descobrir a função terapêutica do orgasmo abriu caminho para uma consistente investigação científica que vai desce o funcionamento das amebas ao comportamento das galáxias.
Obrigada a todos

Bibliografia utilizada:
Psicopatologia e sociologia da vida sexual - Global editora e distribuidora ltda
A Função do Orgasmo – editora brasiliense 1975
A Revolução Sexual – circulo do livro
Psicologia de Massas do Fascismo – ed.Martins Fontes, 2a edição março de 1998
La Irrupcion de la moral sexual – Editorial Homo Sapiens, Argentina
W.R.,Una Biografia Personal, por Ilse Ollendorf Reich, Granica editor, 197 Barcelona
Orgonomic Functionalism, part 2 on The Historical Development of Orgonomic Functionalism – Orgone Energy Bulletin, Maine, 1950 e
People in Trouble – Orgone Institute Press, New York 1953 -
( ambas obras traduzidas pela Sociedade W.Reich do Brasil)
O Éter, Deus e o Diabo seguido de A Superposição Cósmica - ed.Martins Fontes, 2003

Fonte: http://www.espacowilhelmreich.com.br/artigos.php?c=24   acessado em, 16 de setembro de 2015                    

4 de set de 2015

A cada dia - pensamento poético de Miliane Tahira

A cada dia



A cada dia ao seu lado  mais motivos para esculpir sorrisos ritmados da minha alma.. doce sentido dos meus dias...
Miliane Tahira

O que é Ética e Moral:

O que é Ética e Moral:

No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A ética está associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por cada sociedade.
Os termos possuem origem etimológica distinta. A palavra “ética” vem do Grego “ethos” que significa “modo de ser” ou “caráter”. Já a palavra “moral” tem origem no termo latino “morales” que significa “relativo aos costumes”.
Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral.
Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.
No sentido prático, a finalidade da ética e da moral é muito semelhante. São ambas responsáveis por construir as bases que vão guiar a conduta do homem, determinando o seu caráter, altruísmo e virtudes, e por ensinar a melhor forma de agir e de se comportar em sociedade.
O significado de Ética e Moral está na categoria: Filosofia
 
 
Fonte: http://www.significados.com.br/etica-e-moral/, acessado em 03_09_2015

Muito interessante.. relação da música árabe com a brasileira

Musica Árabe e Brasileira - algumas relações e semelhanças
O presente e breve artigo partiu de algumas conjecturas e pensamentos que vim tecendo ao longo desses anos junto à minha vivência da música oriental como um todo e, mais especificamente, da musica árabe.

A partir de um dado momento passei a tentar estabelecer conexões entre os pólos de matriz musical brasileira e suas cargas hereditárias.

A música brasileira possui, para além de sua diversidade de expressões, uma matriz multifacetada que gira em torno de várias origens. Poderíamos citar algumas delas como a portuguesa e africana – as mais conhecidas e mais popularmente debatidas.

Porém, outras fontes foram importantes para a construção do que hoje entendemos, escutamos e executamos como música brasileira. Poderíamos citar, rapidamente, a influência europeia de origem italiana, alemã que, no sul, trouxe importantes contribuições criando, ao longo dos anos, tradições e festividades típicas na região.

Além delas, outras como as indígenas nativas, os holandeses, os franceses, os judeus e ciganos... todos, de certa forma, têm sua parcela no que diz respeito à musica em território nacional.

Um importante grupo são os povos árabes que, desde tempos remotos, para aqui vieram. Sua maior leva de imigração ocorreu de fato no século XIX e hoje existem, segundo fontes, mais de dois milhões de descendentes.

No Nordeste, foram responsáveis inclusive por fundações de cidades, afirmando uma posição mais incisiva do que em outras regiões. 

Principalmente, devido às conquistas árabes que levou a tradição islâmica e seus costumes aos países da África, consequentemente, muitos dos escravos aqui no Brasil possuíam essa origem, como os Males na Bahia, por sua vez vindos das regiões sudanesas da áfrica. Pelo ioruba, Imales – muçulmanos, geralmente eram um grupo letrado e bilíngue. Aqui, insatisfeitos pela pressão católica sobre sua fé, rebelaram-se. Após a revolta dos Males, os que não foram deportados para o Benin, permaneceram em Salvador ou migraram para o Rio de Janeiro.

A influência cultural e, portanto, a música nesse sentido, de origem africana-árabe, já entrava dando seus primeiros passos antes mesmo da grande leva de imigração árabe do século XIX. Vale mencionar também que, em Portugal, antes da colonização brasileira em 1500, os árabes lá estiveram até 1249, totalizando oito séculos de presença com sua música, arquitetura, ciência, artes, língua e culinária, onde vemos registros até os dias atuais. Obra literária capital nesse sentido e o do autor português Adalberto Alves que em seu livro "Arabesco da música árabe e da música portuguesa" (Lisboa, Assírio & Alvim), remonta a gênese e as influências de toda ordem sobre grande parte da musica folclórica e popular lusitana. Em seu ponto de vista, hoje o que se entende por música portuguesa, desde há muito tempo, deita suas raízes, e não somente, bem como suas expressões estéticas, melódicas e rítmicas na tradição árabe.

O Brasil, obviamente, recebeu de forma direta essa influência como já mencionado, desde os primórdios de sua existência enquanto colônia.

Muitos instrumentos típicos árabes como o Rabab, o Tabl, o Oud, o Daf, aqui foram evoluídos para outros fins que não a musica árabe somente.

O Rabab, uma espécie de violino primitivo árabe, aqui se tornou a Rabeca. O Tabl, um tambor de dimensões em torno de 20 ou 22 polegadas utilizando-se baquetas, tornou-se a zabumba, muito utilizado no nordeste, para a execução de baião, xote, forro, quadrilha etc. O Daf, ou Tar, ou mesmo Bendir, nomes diferentes para um mesmo tipo de pandeiro, que pode ser encontrado em diferentes padrões de tamanho, espalhados por todo o oriente médio e norte da África, tem sua expressão artística musical nos pandeirões de São Luiz do Maranhão. Sobre essa linha de instrumentos específicos, em Portugal, o adufe seria um intermediário evolutivo dos pandeiros orientais. De formato ora Hexagonal ora quadrada, ainda hoje desempenha sua função em festividades e músicas regionais e folclóricas portuguesas e romarias.

Nesse sentido, a rítmica árabe também entra no jogo de miscigenações, de criações e fusões que encerram a música nacional. Ritmos árabes como Malfuf, Saudi podem, em suas estruturas rítmicas, serem facilmente identificáveis num típico Baião. Possuem a mesma fórmula de compasso e os mesmos tempos, fortes e fracos. O Ijexa, ritmo de dois tempos, possui muita semelhança com o Karatchi tocado, principalmente, no norte da África em toda extensão do Marrocos ao Egito. 

São muitas as nuances de riqueza em detalhes quem fazem dessa tradição musical no Brasil, uma das mais influentes em nosso repertório.

Espero que, com esse breve artigo, possamos criar cada vez mais curiosidade sobre nossa cultura em termos de atribuí-la seu valor exato e que a música oriental árabe, ao invés de um objeto longínquo e permeado de mitos alegóricos, possa ser visto em sua relação real com a nossa arte, cultura e vida.

Arthur Kauffmann
a.kauffmann@yahoo.com.br


Fonte:http://hannaaisha.blogspot.com.br/2015/08/musica-arabe-e-brasileira-algumas.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed:+HannaAisha+(*+Hanna+Aisha+*)